Make your own free website on Tripod.com
PPPomar

Fundado partido só para negros

Para líderes, ingresso de brancos não é permitida porque “nunca fizeram nada pela raça negra"

A palavra de ordem é explícita. ‘’Branco não entra’’, pregam os dirigentes do Partido Popular Poder para a Maioria (PPPomar). A nova legenda do cenário político brasileiro, quer chegar à Presidência da República apenas com representantes da raça negra.

Se é possível, ou não, o PPPomar, com apenas dois meses de existência, consegue atrair simpatias e ódios. À frente da legenda está o rapper carioca MV Bill, famoso pelo clip Soldado do Morro, onde mostra crianças com armas na mão.

MV Bill e seu empresário Celso Athayde, que também integra o partido, se agarram à teoria de que os negros são as únicas pessoas capazes de entender os problemas da raça negra. “Os brancos estão no poder há 500 anos. O que fizeram por nós? Nada. Chegou nossa vez de botar ordem na casa e lutar por nossos interesses”, prega o radical Athayde.

Ele, assim como MV Bill, reconhece que a criação de uma organização política só para negros é polêmica. Também faz questão de enfatizar que a idéia de barrar os brancos é sua - não se trata de uma orientação partidária - mas outros integrantes do partido compartilham da mesma opinião.

“Na hora em que entrar um branco no partido eu saio e fundo outra legenda”, ameaça Athayde. “Gosto dos brancos, tenho amigos e já tive namoradas brancas. Convivo muito bem com eles. Mas quem entende de discriminação e preconceito sou eu”, justifica.

Apesar da atitude radical, os militantes do Partido Popular do Poder Para a Maioria não pregam a superioridade da raça negra. Portanto, não podem ser comparados com partidos assumidamente racistas, como vários que pululam em países europeus, defendendo a supremacia branca e o ódio aos imigrantes estrangeiros.

O detalhe os livra de possíveis processos judiciais movidos por brancos ou qualquer outro cidadão que considere que o PPPomar prega a segregação.

O artigo 9º do estatuto do partido deixa claro que não há restrição a raça, sexo, idade, situação econômica social ou orientação sexual dos novos filiados.

Relatório aponta desigualdades raciais no país

O Brasil, último país do mundo a abolir a escravidão, em 1888, continua tratando mal sua população negra.

Esta é a conclusão do estudo Desigualdades Raciais no Brasil, elaborado pela socióloga Rosana Heringer para a Fundação Zumbi dos Palmares.

O relatório ressalta que as diferenças entre brancos e negros começam nos primeiros anos de vida.

Enquanto em 1996, 45,7 de cada mil menores brasileiros não passava dos cinco anos, entre a população de cor o número subia para 76,1.

A desigualdade passa pela educação e chega ao mercado de trabalho. No Estado de São Paulo, a taxa de desemprego entre os negros era de 20,9%, em 1999, contra 13,8% entre os brancos.

Nas altas esferas do poder as diferenças são ainda mais gritantes: só 5,9% dos negros ocupam cargos diretivos e de planejamento em empresas públicas e privadas, contra 21,4% dos brancos.

Professora diz que iniciativa é “discriminação positiva”

A professora Rita Segato, do Departamento de Antropologia da Universidade de Brasília, explica que organizações de negros são toleradas porque representam uma discriminação positiva ou compensatória.

Este é o termo acadêmico que os grupos rejeitados ou oprimidos recebem quando se juntam para lutar por seus direitos.

“É uma proposta válida, até porque a discriminação brasileira é uma das mais diferenciadas em relação a outros países”, destaca.

O exemplo mais claro é o dos Estados Unidos. Lá, o racismo é mais explícito, não há meio termos como no Brasil. “Para eles é mais nítido enxergar o racismo. O brasileiro é mais velado, conseqüentemente, mais preconceituoso”. Como os norte-americanos têm mais “consciência” de seu preconceito, explica Rita, também têm mais senso de organização e leis.

Um exemplo são os incentivos do governo americano às universidades onde se persegue maior equilíbrio entre as raças. Quem mais se destaca nessa categoria ganha incentivos para pesquisa, mais verbas, aparelhos mais modernos.

“É o sinal de que a organização dos negros produz efeitos positivos e não é uma forma de racismo às avessas”, arremata Cláudio Fernando Vieira, da Universidade de São Paulo (USP). O historiador é contra qualquer organização que nasça com o símbolo da exclusão.

Pré-filiados à sigla em 13 estados já somam 50 mil

Segundo a direção do PPPomar, 50 mil pessoas assinaram as listas de pré-filiação em 13 estados e mais o Distrito Federal.

O número é bem superior aos 7.110 exigidos pela legislação do TSE para a organização de um partido. Até novembro, eles sonham com 5 milhões de membros filiados.

“Qualquer um que se sinta ofendido pela existência do PPPomar ou qualquer outra instituição de defesa dos direitos da população pode registrar queixa na delegacia. A lei que fala de racismo e preconceito foi feita para todos, não é exclusiva dos negros”, aponta o jurista Marcion de Souza, ressaltando: “Apesar da legislação não falar de casos específicos, ficou acertado, de forma silenciosa, que a lei do racismo foi feita para defender os negros dos brancos”.

Segundo o último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), há 73 milhões de pessoas negras no Brasil, cerca de 45% do universo de 169 milhões de brasileiros. “Se somos a maioria, por que não pode existir um partido voltado para os interesses da maioria? Não é preconceito, não senhor”, diz Aroldo Macedo, fundador da revista Raça Brasil.

Fundada há seis anos, a Raça é a única publicação comercial dirigida à classe média negra, um contigente estimado em 7,5 milhões de pessoas com renda mensal acima de R$ 3 mil.

Macedo não vê nenhum mal na organização. “Neste caso a segregação é um caminho para a afirmação da população negra”, aposta. Com uma tiragem mensal de 80 mil exemplares, a Raça Brasil é a que tem o maior faturamento dentre as publicações da editora paulista Símbolo.

Há um ano, Aroldo Macedo deixou a “revista dos negros que brancos também lêem” para se dedicar a um projeto muito mais ambicioso: a primeira revista infantil com uma heroína negra, a Luana.

© Copyright 2005 - Mídia Sem Máscara
http://www.midiasemmascara.org

O que ontem era estigma, o registro da cor, passa hoje a ser virtude. Os movimentos negros, ao que tudo indica, terão de jogar ao lixo suas velhas bandeiras.



Movimentos ecologistas estão preocupados com a extinção de baleias, ursos polares, micos-leões-dourados e outras espécies. Pessoalmente, estou preocupado com outra espécie bem mais próxima e mais valiosa, os mulatos e as mulatas. Que, dependendo da inépcia de nossos legisladores, em breve será extinta. Pelo menos do ponto de vista legal. É o que propõe um monstrengo jurídico, de autoria do senador Paulo Paim, o projeto de lei n° 3.198/2000, também chamado de Estatuto da Igualdade Racial. Já foi aprovado pelo Senado e tramita em regime de prioridade na Câmara dos Deputados. De uma só tacada, Paulo Paim extermina legalmente os mulatos do território pátrio: “Para efeito deste Estatuto, consideram-se afro-brasileiros as pessoas que se classificam como tais e/ou como negros, pretos, pardos ou definição análoga”.

Demorou mas chegou até nós. Está sendo introduzida legalmente no Brasil a classificação ianque, que só consegue ver pretos e brancos em sua sociedade e nega a miscigenização. Este sórdido projeto é antigo, fruto da exportação dos conflitos raciais dos Estados Unidos para um país onde o negro sempre conviveu bem com o branco, tanto que o mulato constitui um contingente considerável da população. Mal foi eleito, o Supremo Apedeuta saiu arrotando urbi et orbi que o Brasil era a segunda nação negra do mundo, depois da Nigéria. Até mesmo uma pessoa aparentemente culta, como Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores, prestou-se a corroborar o sofisma safado: “Como declarou o presidente Lula, o estreitamento das relações com a África constitui para o Brasil uma obrigação política, moral e histórica. Com 76 milhões de afrodescendentes, somos a segunda maior nação negra do mundo, atrás da Nigéria, e o governo está empenhado em refletir essa circunstância”. Ao colocar todos afrodescendentes no mesmo saco dos negros, o ministro demonstra que, nos círculos do poder, mesmo homens cultos se dobram à bajulação.

Ora, segundo o IBGE, a população negra do Brasil, em 99, era de apenas 5,4%. Com o acréscimo de 39,9% do contingente de mulatos, o Brasil estaria perto de ser definido como um país majoritariamente negro, como aliás é hoje considerado por muitos americanos e europeus. Com o projeto do senador, não teremos mais mulatos (ou pardos, no jargão do IBGE), mas apenas afro-brasileiros. O que os ativistas negros esquecem é que o mulato pode denominar-se tanto afro-brasileiro como euro-brasileiro. A tônica no afro tem intenções óbvias: aumentada artificialmente a população negra, torna-se fácil pressionar os legisladores para obter mais vantagens para os que não são brancos. Os ativistas negros no Congresso querem ganhar privilégios no tapetão da semântica.

Sensível ao apelo dos votos, Geraldo Alckmin está encaminhando à Assembléia Legislativa projeto de lei que estabelece o acréscimo de pontuação aos afrodescendentes no concurso público para a Defensoria do Estado. Após os Estados Unidos estarem abandonando a política das ações afirmativas, o governador paulista, em um gesto de mimetismo terceiro-mundista tardio, afirma: "Estamos fortalecendo nossa proposta de ações afirmativas". É um modo de dizer. O que Alckmin parece ignorar é o artigo 5° da Constituição, que reza: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”. Alckmin é hoje visto como uma alternativa à permanência do Supremo Apedeuta no poder. Triste alternativa, a de um político que, em sua ambição de votos, começa sua campanha rasgando de uma penada a Constituição brasileira. Se já rasga a Carta Magna enquanto candidato a candidato, podemos imaginar o que ousaria quando no poder.

Nas últimas décadas, os movimentos negros insistiram na idéia de que raça não existe, ser negro seria apenas uma questão de melanina. Quando começou a surgir no Brasil a infeliz idéia ianque de cotas, tanto para a universidade como para admissão em empregos públicos, assistimos a uma súbita reviravolta: raça agora existe e deve ser declarada. O malsinado projeto do senador gaúcho determina que, em várias circunstâncias – no Sistema Único de Saúde, nos sistemas de informação da Seguridade Social, em todos os registros administrativos direcionados aos empregadores e aos trabalhadores do setor privado e do setor público – o quesito raça/cor será obrigatoriamente introduzido e coletado, de acordo com a autoclassificação.

Se até bem pouco afirmar a existência de raças era sinônimo de racismo, a noção de raça agora passou a ser algo bom, digno e justo. Para a advogada Flavia Lima, coordenadora do Programa de Justiça da ONG Núcleo de Estudos Negros, em Florianópolis (SC), a classificação dos indivíduos segundo a raça pode ser um instrumento na luta contra o racismo. A obrigatoriedade de registro da cor seria um ponto positivo do Estatuto, já que permite investigações sobre racismo em diversas esferas da sociedade.

Ó tempora, ó mores!O que ontem era estigma, o registro da cor, passa hoje a ser virtude. Os movimentos negros, ao que tudo indica, terão de jogar ao lixo suas velhas bandeiras. Para o Supremo Apedeuta, por exemplo, até os nigerianos já são afrodescendentes.

Como observa Demétrio Magnoli, na Folha de São Paulo, “os modelos são a África do Sul do apartheid e a Ruanda dos belgas, com suas carteiras de identidade etno-raciais. A nação deixará de ser um contrato entre indivíduos para se tornar uma confederação de raças". Se aprovado na Câmara este projeto infame, os negros e mulatos terão carteirinha única, e esta jamais será a de mulato. Imagine o leitor se um deputado branco sugerisse a instituição da carteirinha de negro. Seria imediatamente comparado a Hitler, que identificou os judeus com a tecnologia Hollerith de cartões perfurados da IBM.

Como os deputados hoje estão mais preocupados em salvar a própria pele do que em discutir quesitos de raça ou cor, corremos o sério risco de que o absurdo estatuto adquira força de lei. Os políticos sentem-se tão à vontade para praticar este estupro, que já o incluem em suas promessas de campanha, como o fez Alckmin. Se a Constituição já foi violada mediante compra de votos, violação a mais violação a menos tanto faz. E assim desaparecerá, banida por lei, a prova mais incontestável do caldeamento de raças no Brasil, o mulato.

Os velhos comunistas podem ter perdido a guerra, mas não perderam os vícios. Luta de classes morta, luta racial posta.